E o mundo não acabou
14/11/2008
Faz hoje um ano que o governo de Yeda Crusius sofreu sua maior derrota na Assembléia. Por 34 votos a zero, foi rejeitado o pacote que aumentava as alíquotas do ICMS. Com base no discurso usado para tentar aprovar o pacote nos documentos encaminhados à imprensa e aos deputados (reprodução ao lado) o futuro do Rio Grande do Sul seria sombrio sem o aumento de impostos.
Os adversários do aumento de impostos sustentavam que era possível equilibrar as contas sem onerar o contribuinte, cortando gastos, combatendo a sonegação e adotando práticas de gestão usadas na iniciativa privada.
Sem o aumento do ICMS, o governo partiu para o controle de gastos, modernizou a gestão de órgãos públicos e investiu na eficiência da máquina arrecadadora. Somado ao bom desempenho da economia, o resultado é que não só o mundo não desabou, como o déficit neste ano será metade do previsto, o governo começou a pagar o passivo das Leis Britto, colocou em dia o pagamento dos fornecedores e apresentou um plano para retomar o pagamento dos precatórios.
Especialista em finanças públicas e à época um dos que temiam o caos, o economista Darcy Francisco dos Santos não tem dúvida: o principal responsável pelo milagre é o ICMS, cuja arrecadação cresceu 23,3% de janeiro a outubro (quadro ao lado) – R$ 2,3 bilhões acima de igual período do ano passado. Descontada a inflação, o crescimento deve ficar acima de 15% neste ano.
Condutor do ajuste fiscal, o secretário da Fazenda, Aod Cunha, diz que, se o aumento tivesse sido aprovado no ano passado, o equilíbrio das contas se daria mais cedo e haveria mais dinheiro para investir. Na proposta de orçamento de 2009, que está em discussão na Assembléia, o governo prevê déficit zero e investimentos de R$ 1,1 bilhão.
Fonte: Rosane de Oliveira - Zero Hora
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